Feliz dia das mães

Em uma dessas redes sociais eu acabei de dizer que há sempre novas palavras a serem ditas. O meu questionamento é simples: como? “Sei que às vezes uso palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas?”. Tenho eu conhecimento de que, por vezes, acabo tornando-me repetitiva. Acho que a repetição também constitui o amor. Talvez a minha frase tenha sido mal elaborada. A verdade é que sempre há coisas que queremos dizer, sempre há coisas que gostaríamos de expressar, mas eu sinto todo o dicionário tão curto… Eu sinto no coração o sentimento aflorado, as palavras querendo sair sem saber quais usar. Eu sinto esse amor tão profundo sem ao menos saber demonstrá-lo. É frustrante ver as palavras me fugirem quando eu mais preciso. Mas, mais frustrante que isso, é não poder passar o dia inteiro ao seu lado, é não estar contigo em todos os momentos do dia. Mais frustrante que isso, minha rainha, é não conseguir arrancar sorrisos teus às vezes. Mais frustrante é ver-te triste e sentir o meu mundo inteiro desabar. Frustrante é também não poder lhe dizer a dimensão do meu amor. Ah, como eu queria… Se ao menos eu não fosse tão limitada às palavras! Se ao menos eu tivesse o poder de escrever os mais belos versos de afeto que poderia lhe falar, eu me sentiria mais à vontade. Eu sentiria que meus sentimentos seriam melhor expressados. Se eu ao menos conhecesse todas as palavras… Ainda assim eu não me contentaria. Eu sempre falo e não digo nada. E isso também me frustra…

Minha mãe, não tenhas orgulho destas palavras que nada dizem, sou eu, na verdade, um tanto quanto covarde. Eu temo a absolutamente tudo. Eu temo partir sem realizar o meu sonho de te dizer que és quem eu mais amo em toda a face desta terra. Eu temo um dia já não ver teus olhares. Mãe, enquanto as lágrimas escorrem no meu rosto por ser tão temerosa, eu temo não ser como tu és. Eu tenho medo de um dia não poder ser à meus rebentos tudo o que você foi, é e sempre será para mim. Perdoe-me a minha falta de subjetividade. O meu desejo incessante de ser como você. É que és o meu amor maior, o meu orgulho, a pessoa em quem me espelho todos os dias. Nos teus conselhos me deleito, nas tuas palavras me acalmo, no teu abraço caloroso sinto que já nada pode me ferir. E ainda que por tudo que eu chore, ainda que tantas coisas me machuquem, nenhuma medicina jamais será de melhor cura que aquele teu colo que me alenta. Remédio algum será mais confortante que ver-te secando minhas lágrimas.
Neste dia de puramente comércio mas que o mundo deseja compensar às mães a falta que eles fazem, onde as pessoas desejam preencher o lugar que não preenchem por um ano e dar presentes que nada simbolizam quando comparados ao amor que vocês sentem. Onde todas as pessoas querem recuperar o espaço vago que deixam durante todos os dias com somente um almoço, eu quero lhe falar que o seu dia é muito mais do que hoje. Não há um dia que não seja teu. Não há um só dia da minha vida que não lhe dedico. Não existirão versos de amor que lerei e não lembrarei de ti. Eu quero lhe recordar que o seu dia é todo aquele que levantas de manhã e me acordas com palavras doces, que me arrumas o café da manhã, que aprontas minhas coisas e me dá um beijo que é o suficiente para tapar qualquer tristeza que me aflija. Recordar-te que seu dia é todo aquele em que me aconselhas, em que me abraças, em que dizes o que mais preciso ouvir. Portanto, não há um dia que não lhe pertença. Todos as horas de todos os dias você merece por ser tão carinhosa, por ser tão ouvinte, por ser tão… Mãe. Que, dentre outras muitas qualidades e vocações, é uma das tuas melhores e o que fazes de melhor. 

Eu te agradeço por tantos atributos. Eu agradeço a Deus pois, dádiva maior que esta que recebi de poder chamar-te de mãe, não há. Agradeço por ser quem eu sou. Eu te agradeço pela minha própria vida. E não há agradecimentos o suficiente que caibam por aqui. Eu simplesmente, unicamente e especialmente lhe desejo Feliz dia da mães por exercer essa tarefa da melhor maneira do mundo. Que você possa se lembrar desse texto e de minhas outras tantas palavras todos os dias, pois esses votos de amor não te desejo somente hoje, mas em todos os dias que abrires os olhos e lembrares que há um longo dia pela frente. Desejo-te feliz pelo seu dia em todo e cada um deles, quando eu não mais estiver, quando tu já não estiveres. Eu desejo ser o que me representas, um dia…

Eu te amo mais do que tudo e por tudo, mãe. Até que o para sempre já não exista.

Estado de consternação

Eu andei procurando motivos que me fazem sorrir. Eu acabei por te procurar em lugares que não eram para nós dois. Cheguei até mesmo a te enxergar clareando minhas noites sombrias. Vi-te escurecer também meu raiar de sol de cada manhã. Em tudo aparecestes. Numa busca incessante, lhe encontrei enfim.
Eu sei que sempre tive a imaginação fértil, mas daria isso o direito de pensar-lhe tanto? Sinto-me com pecados irreversíveis ao ver-te, ao tocar-te tendo conhecimento do meu amor já com tanto fulgor. Eu sinto-me tão errônea ao encontrar teus olhares!
Já nem sei mesmo o que espero de mim mesma. Já temo o meu sentir e o que quero falar. Eu temo os teus olhos tão perfeitamente desenhados e recordados como uma imagem viva em minha mente. Eu temo estes olhos claros que me soam como o encontro de céu e mar, fazendo-me sentir ainda mais culpada por comparar o marco desse meu amor com criações tão divinas.
Busco continuamente palavras, aprendi a decifrar corações para conseguir notar se você habita em algum deles e os motivos pelo qual nosso sonho não pode tornar-se realidade.
Me dê bons motivos para que, neste momento, lágrimas de tristeza não rolem pelo meu rosto como as ondas do mar que comparei-as aos teus olhos doces. Dê-me motivos coerentes o suficiente para manter-me atenta às conversas sem conteúdo, às frases ditas sem amor, se tudo o que almejo é pensar-lhe, se sim, o meu amor é verdadeiro, e não necessito de versos de outrem para mostrar-lhe que não há nada mais profundo que o que sinto, e que, ainda que tentasse com os meus e os outros versos, nada seria capaz de demonstrar-lhe.
Ainda assim quer convencer-me da ilusão? Sou fruto da bondade, a bondade desejo fazer. Mentiras não a compõe, por isso não escondo o sofrer.
A verdade aparato, mas escondo-a, por instantes, guardando na mente as lembranças, e no coração a sina de amar-te e sofrer até o fim.

As estrelas sabem

86135232-estrelas_casal_amor_foto_forever_blog_large_large

Quisera eu que tudo fosse diferente do que tem sido. Que meus anseios não estivessem assim, tão expostos. Que meus sentimentos não fossem tão aflorados. Quisera eu ser ao menos um pouco implícita. Esconder medos, amores, ironias. 
Eu, ao menos por instantes, quis tentar fazer-lhe entender que eras nada mais nada menos que meu bem maior. Que por tantos dias da minha vida, minha inútil tentativa fora fazer-lhe feliz da maneira que me fazias com somente uma palavra. 
Eu sempre quis deixar claro que sentiria sua falta mais do que qualquer outra coisa. Que choraria e lamentaria sua ausência como meu próprio corpo lamentaria a ausência da alma. Como se ela tivesse sido liberta da prisão. Que é como eu me sentiria sem você. É como se enfim você pudesse se libertar daquilo que te prende para viver sua própria vida, sem se importar com o que eu sentiria. 
Foi isso o que em todo o tempo representei? Um corpo aprisionando a alma? Eu sinto você como sendo esta psique carcerada por um corpo egoísta: eu.
Creio eu que, em muitos dos meus momentos de falhas, eu fui mais do que deveria ser. Demonstrei mais do que deveria demonstrar. Mas não me arrependo de ter sido quem eu sou. Aonde quer que eu esteja, seja quando for e haja o que houver, se haverá algo do qual me orgulharei profundamente será de não ter escondido palavras, de não ter recuado olhares, de ao invés de machucar corações, tê-los feito bem, ainda que não fosse recíproco.
Talvez o único motivo que me faz pegar este papel e esta caneta agora, neste dia que à mim não tem sido muito inspirador, seja você. Possivelmente você tenha sido o meu pretexto singular e incomparável para todas as cousas. Para seguir, para dizer, para amar. Agora, claro, tu não és o único que me resta. Me ensinastes tudo isto. Posso compartilhar agora com outros que me queiram bem. Mas declaro aqui, abertamente, que fora você, a minha razão ímpar para tudo.
Apeguei-me. É natural. Sempre me envolvo assim, tão fácil, tão sutilmente. Que hei de fazer? Nada mais. Não se muda o que passou, e engano de quem diz que o futuro se muda assim, tão repentinamente. Muda-se o modo de viver, apenas. Não posso simplesmente dizer ao coração que lhe arranque para sempre. O tempo dirá se conseguirei ou não este fato. Somente o tempo. Enquanto isso te procuro entre o céu.
É o céu a minha nova justificativa. É nele que encontro os anseios guardados. Os desejos reprimidos. O céu é o que me alenta todos os dias, pois ao observá-lo sinto-lhe mais perto. É como se a distância entre nós, diminuísse. Física e emocionalmente. As estrelas lembram-me que nada pode estar assim, tão longe. Eu procuro pensar-te quando as olho. Eu me sinto realmente melhor ao olhar qualquer constelação e saber que, não importa em qual lugar você esteja, em que lugar tenhas te refugiado dos nossos olhares, eu sei que daí e de qualquer lugar em que estejamos, a veremos. Eu sei que não importa as milhas, você estará olhando o mesmo céu. As estrelas me consolam. A escuridão da noite me faz saber que em algum lugar do mundo, mesmo que eu o desconheça, você está sob as mesmas estrelas, sob o mesmo céu. Você também é testemunha da mesma criação. Estamos juntos no mesmo enigma, decifrando mistérios, presenteando as mesmas maravilhas. Fazemos parte do mesmo mundo, isso é o que me basta para saber que meu amor não foi em vão. Que nada foi em vão. Compartilhar o mesmo céu, o mesmo sol, admirar as mesmas estrelas me soam como suficiente para lembrar de tudo o que senti, para lembrar que este mesmo céu foi testemunha das nossas juras de amor e que agora, é testemunha da ausência de ambos. Ele ainda sente os mesmos sabores. As nossas vozes ecoam no espaço pela eternidade. Promessas são promessas. Os céus não se cansarão de ouvi-las. As estrelas ainda as saboreiam com o mesmo frescor do dia em que foram ditas. A criação rejuvenesce ao recordar-nos. Eu sinto este amor como a canção que todas as galáxias ouvem em sintonia, admirando entre elas, o lampejo de nossos olhares.
Eu não sou masoquista. Eu não sou sonhadora. Eu sei que apenas este mesmo céu é o meu e o seu. E nada pode fazer com que eu lhe sinta tão perto como ele. 
E ainda que entre sua maneira tácita de ser tente fingir-me que não, sentes tudo com a mesma intensidade. Ainda lembras das nossas conversas, ainda sentes em teus lábios o sabor do beijo, ainda te aqueces somente com o rememorar dos abraços, disso eu bem sei.
E então essas palavras me viriam do nada? E então eu diria tudo isso em vão se o mirar das estrelas não me trouxesse os teus sentimentos? Como no início, ainda somos capazes de interpretar o que, na realidade, sem as máscaras, cada um sente. 

Quimera da madrugada

Se eu pudesse somente com o brilho do teu olhar possuir o condão de iluminar meus caminhos, minh’alma seria, pois, somente ternos risos, somente boas recordações, somente o que há muito ela vem tentado ser sem nenhum êxito do qual possa se enaltecer.
Minha triste vida que se resume a este tão belo fulgor dos teus olhos, minha vida consternada, escrita por tortas linhas que, sem a mínima coerência lhe tenta encontrar, teria um maior sentido que não fosse apenas lamentar-se por não possuir-lhe.
Se eu fosse digna do mísero perdão que fosse desse vosso amor que tanto me consome, talvez eu ainda tentasse procurar sentido numa existência que já mal a possuo pelo amargo sabor da solidão que me assombra e faz-me esquecer dos poucos e últimos pontos de esperança que ainda me restam.
Permita-me ao longo desta vida que parece eterna por não ter acepção alguma, sentir o doce do teu beijo, o calor do teu abraço e a inspiração da tua voz acolhedora, que me acalma mais que as próprias lágrimas que derramo por ter ausente todos estes loucos devaneios insopitáveis.

Palavras do coração

Essas tardes outrora tão alegres
Outrora tão perfeitamente bonitas,
Hoje as vejo tão fúnebres, tão tristes
Como a própria vida que a nada me incita.

Esse imenso sol que todos os dias o vejo se pôr
Tornou-se agora tão pequeno com a dor deste amor.

Sinto-me, então, tão mesquinha
Por tanto ter e a nada merecer.
Por tantas coisas que no ontem tinha
E por ter posto tanto a perder!

Oh céus! Há tanto procuro ouvir-te
Nos pesadelos da madrugada tenho tentado encontrar-te
Mas já sinto que a vida nada me permite
Por ter tanto lastimado a felicidade.

Coração que já não sinto,
Sonhos tão incontroláveis…
Deixa-me aqui, neste recinto
E não me partas outra vez.

Curta vida que não vivo,
Peço-lhe somente perdão
Pelo precioso tempo que perdestes comigo
Quando só reclamara meu tristonho coração.

Não tire-me a liberdade
De tentar de novo ser feliz.
Mas tenha por mim piedade,
Pois a felicidade sempre quis. 

Querida vida

Eu já não tenho aquele riso terno,
Nem mesmo sei se cheguei a possuí-lo.
Sei somente que todo e cada dia parece-me eterno
Enquanto finjo não notar e procuro persuadi-lo.

Mas, persuadir a quem? É claro, ao meu fraco coração
Que já teme o seu próprio bater e receia a própria vida.
A quem hei de enganar com tamanha ilusão?
Se já até mesmo eu, me cansei de ser fingida!

Decidi-me entregar à emoção
E convenci-me a esconder lágrimas sorrindo.
E desta forma, entregue à nenhuma coesão
É como eu pretendo continuar seguindo.

Escrevo-lhe agora, minha querida vida
Que não te esqueças de mim.
E que ao tentar deixar-me perdida
Não te olvides que já me perdi.

Rogo-lhe nada além de misericórdia
Qualquer que seja, sobre meu ser
Seja somente um pouco mais notória,
E trate de ao menos me ver…

Só te lembres que ainda és minha
E embora sobre ti não tenha domínio
Nos teus trilhos minh’alma caminha,
Sufocando em teus empecilhos
Meus inalcançáveis devaneios.